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Vetnil destaca os principais alimentos que colocam a saúde dos pets em risco

24 de agosto de 2020

Muitas vezes sentimos vontade de compartilhar nossa comida com os pets, mas isso pode ser muito prejudicial para eles. Alguns alimentos amplamente consumidos por humanos contêm substâncias extremamente tóxicas para o organismo dos animais, que podem ocasionar alterações digestivas e outros quadros graves. Por isso, é preciso ter cuidado na hora de compartilhar guloseimas. Kauê Ribeiro da Silva, veterinário da Vetnil, destaca algumas das principais restrições alimentares:

Os grandes vilões:

  • Alho, cebola e quaisquer vegetais do gênero Allium: esses alimentos podem ser muito prejudiciais à saúde de cães e gatos. Mesmo após cozidos, seu potencial de toxicidade é mantido. Em geral, deve-se evitar oferecer qualquer tempero para os pets. A cebola contém elementos que afetam as células vermelhas do sangue, causando uma alteração chamada oxidação da hemoglobina, levando a um quadro de anemia e alterações renais. Estudos citam que cães das raças Akita e Shiba e felinos em geral são mais sensíveis à oxidação da hemoglobina. Logo, os efeitos tóxicos da cebola e do alho tendem a ser mais intensos nesses animais.
  • Chocolate: apresenta substâncias alcaloides da família das metilxantinas (principalmente a teobromina), que são tóxicas aos animais. Quanto mais escuro for o chocolate, maior a quantidade de cacau presente em sua composição e consequentemente maior é sua toxicidade, já que o cacau é a fonte dessas metilxantinas. Pequenas doses de teobromina já podem ser suficientes para causar diversos sinais clínicos de toxicidade, como vômitos, diarreia, alterações cardíacas e convulsões. Por isso, toda a cautela com esse alimento é necessária, principalmente quando existem crianças na casa.
  • Sementes: no geral, recomenda-se não oferecer quaisquer sementes para cães e gatos. Além de poderem causar obstruções, as sementes contêm glicosídeos cianogênicos (compostos “venenosos”) que podem causar dificuldade respiratória, salivação excessiva e convulsões.
  • Abacate: mesmo precisando de uma alta quantidade ingerida para causar intoxicação, o alto teor de gordura do abacate já pode ocasionar danos à saúde dos cães. O grande perigo da ingestão dessa fruta é o caroço, que pode acabar sendo ingerido e levar a problemas em diferentes porções do trato digestivo. Isso também pode ocorrer pela ingestão de espigas de milho.
  • Xilitol: composto muito comum em alimentos diet.  Pets podem apresentar um quadro hipoglicêmico grave após ingestão, apresentando fraqueza, incoordenação, letargia e até convulsões.
  • Uvas: A fruta e produtos derivados, como suco e passas, são prejudiciais e podem causar insuficiência renal, hepática, vômitos, diarreia e até levar a morte.
  • Nozes de macadâmia: não se sabe qual é o composto tóxico específico, mas por estar presente em muitos alimentos humanos, há relatos de intoxicação em cães após a ingestão, podendo levar a distúrbios gastrointestinais (diarreia, vômito), hipertermia, taquipneia (respiração mais rápida), pancreatite e reações alérgicas.
  • Cafés e chás: esses alimentos contêm cafeína, que também é uma metilxantina (assim como a teobromina citada anteriormente), podendo causar efeitos ainda mais graves.
  • Carne com ossos: podem causar problemas no trato digestório dos pets, já que os ossos podem se alojar em diferentes porções na forma de fragmentos ou até inteiros, com o risco de causar perfurações e levar a quadros mais graves. Os ossos de frango são os que apresentam maior risco aos animais, pois ao serem quebrados formam pontas e lascas afiadas que podem causar lesões em órgãos internos.

Carne crua, pode?

O oferecimento de carne crua para os pets é um assunto polêmico entre tutores. Muitos optam pela não cocção, mas Kauê afirma que a prática não é recomendada. Segundo ele, além de não ser possível garantir que todos os processos da indústria frigorífica são eficientes para assegurar a baixa concentração de bactérias nocivas, a oferta de carne crua pode provocar problemas nutricionais e ósseos devido às quantidades de cálcio e fósforo, ou promover intoxicação por excesso de vitamina A (quando a carne de fígado é consumida por um longo período). Da mesma forma, não é indicado o consumo de ovos crus, pois a clara não cozida contém substâncias que comprometem a digestão de proteínas e outras que inibem a absorção da biotina, vitamina essencial para saúde da pele, pelos e sistema nervoso.

Por outro lado, alimentos fritos também devem ser evitados, pois contêm um alto teor de gordura e podem causar diversas alterações, como vômito, diarreia, além de predispor o pet à condição de obesidade e alterações endócrinas.

Fuja do leite

Segundo o veterinário, não é recomendado oferecer leite ou derivados lácteos a cães e gatos, em qualquer fase da vida. O conteúdo de proteínas, gorduras e outros compostos no leite da cadela e da gata é muito diferente do leite da vaca. Assim, o consumo dele por filhotes pode ocasionar em má nutrição e comprometimento do crescimento, diarreia ou constipação, entre outros danos. Cães e gatos adultos poderão ter diarreia, já que não produzem mais as enzimas necessárias em quantidade adequada para digerir o leite igual a filhotes. Além disso, o fornecimento de leite de vaca ou produtos lácteos não traz benefícios nutricionais relevantes a cães e gatos.

Plantas também podem ser tóxicas

Plantas ornamentais domésticas também podem causar complicações à saúde dos pets, com diferentes conjuntos de sinais clínicos. Neste caso, o tutor deve ter ainda mais cuidado, pois muitas vezes os vasos podem ser facilmente acessados por cães e gatos. Kauê explica que oferecer petiscos e estabelecer uma rotina de exercícios e passeios é uma ótima forma de manter o pet ativo e evitar que ele ingira plantas, já que a falta de atividade física é a principal causa de “comportamentos inadequados” em cães.

Entre as plantas mais perigosas para pets, o veterinário destaca:

-Antúrio (Anthurium sp.)

-Azaleia (Rhododendron spp.)

-Bico de papagaio (Euphorbia pulcherrima)

-Comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia spp.)

-Copo-de-leite (Zantedeschia aeothiopica)

-Costela de Adão (Monstera deliciosa)

-Dama-da-noite (Cestrum nocturnum)

-Espada de São Jorge (Sansevieria trifasciata)

-Espirradeira (Nerium oleander)

-Filodendro (Philodendron spp.)

-Hortênsia (Hydrangea macrophylla)

-Jiboia (Scindapsus aureus)

-Lírio (Lilium spp.)

-Mamona (Ricinus communis)

-Primavera (Primula obconica)

-Tulipa (Tulipa spp.)

Caso o pet ingira qualquer um dos alimentos ou plantas comentados acima, é importante levá-lo ao veterinário imediatamente. Se possível, o tutor deve entrar em contato com o profissional para pedir orientações sobre os primeiros socorros e sobre a maneira correta de levar o pet até o atendimento. Nos casos de intoxicação, alguns procedimentos básicos podem minimizar os danos à saúde do pet até a chegada à clínica. A terapia completa será estabelecida pelo médico veterinário, que avaliará as lesões ocasionadas pela intoxicação e tratará o animal de acordo com o quadro, a fim de restabelecer de forma plena sua saúde.

Vale lembrar que a dieta dos pets deve ser acompanhada de perto por um veterinário. Alimentos naturais precisam ser recomendados por um profissional nutrólogo para que seja avaliada a quantidade de calorias ingeridas e o perfil de nutrientes da dieta, que normalmente necessitará de suplementação para atender todas as necessidades de aminoácidos, vitaminas, macro e microminerais.

Essas e outas dicas podem ser conferidas no canal oficial da Vetnil no Youtube: https://www.youtube.com/user/vetnilgrupos